quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Jogando Bola num Universo Paralelo

Daí eu saí do bar, entrei no primeiro táxi e ele me fala:

"Oi Hélio."

Hein? Um taxista vidente? Stalker? Estaria eu bêbado demais?

"Você não se lembra de mim, né?"

Vish. Medo. M.E.D.O. Lembrava não. Olhava pra cara dele e juro que não lembrava.

"Eu sou o Marcelo."

Que bom, era o Marcelo. Que Marcelo, cacete? E tinha que ser esse nome, o nome que eu deveria ter e que minha avó paterna escolheu pra mim. Ela me chamava de Marcelo escondido desde que eu era um bebê, escrevia cartinhas para seu neto MARCELO (eu) e psicopateou tanto com essa história que até hoje em dia quando alguém grita Marcelo na rua eu olho sem querer. O nome que é de todos os protagonistas de minhas histórias, desde as infantis até as adultas. O nome irracional que me atormenta e persegue. E ali, aquele taxista.

"Ahh, lembrei! Marcelo!"

Mentira, eu tava só meio tenso mesmo e queria quebrar o gelo. Mas o rapaz era esperto, percebeu que eu estava mentindo e meio confuso e começou a explicar.

"Lembra nada... você tava meio bêbado, é normal..."

MEDO. MEDO. MEDO. MEDO. MEDO. Daí eu só fiquei mudo mesmo.

"Você tava aqui em Ipanema debaixo de chuva e aí eu parei. Então você disse que morava no Flamengo e eu pedi pra você me ajudar no caminho porque eu tinha acabado de chegar no Rio e não conhecia nada direito, além do mais estava chovendo. Só que a gente começou a conversar e eu fui dirigindo e a gente acabou indo parar na Lapa, daí você disse que tava com fome e que queria comer pizza, eu disse que podia te esperar no carro, mas você me convidou, perguntou minha vida toda e me deu um monte de conselhos, porque eu tava com problemas em casa, com minha mulher e tal. Aí a gente terminou de comer, deixei você em casa, te dei meu cartão pra você me ligar pra gente jogar bola e você sumiu!"

Olha, foi muita informação ao mesmo tempo, mas adorei saber que num universo paralelo eu jogo bola.

Daí ele chegou aqui em casa sem eu ter que dar o endereço.

E é isso, né gente. Esse sou eu. Prazer.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Ingrêis

Uma das minhas manias é sair sozinho de vez em quando. Aqui no Rio eu normalmente vou pra uns barzinhos em Ipanema que tocam rock'n roll e normalmente esses lugares estão cheios de gringos e as famosas "maria passaporte".

Daí um dia eu estava num bar desses, bebendo e pensando na próxima parada. Mas a conversa do lado estava muito boa pra perder: a mulher falava um inglês capenga, bem ruinzinho. O cara até onde eu tinha entendido era de Nova York e iria passar umas duas semanas aqui no Rio. Eu sei que de algum jeito muito primitivo a mulher falou que tinha morado em Seattle. O cara perguntou em que bairro, daí ela respondeu que não era bem na cidade, mas em outra cidade bem pertinho que ficava do lado. Ela disse o nome da cidade (não me lembro), mas o cara falou que conhecia e talz. E foi ao banheiro.

Me vendo ali sozinho, a guria veio falar comigo, toda sorrisos.

"Você entende inglês?"

"Um pouco."

"Ai, que gringo burro! Nunca nem saí do Brasil, inventei uma cidade perto de onde começou o Nirvana e ele caiu, HAHAHAHHAA"

Eu queria ter dito: "E você acha bonito mentir pras pessoas desse jeito, tá pensando o quê?", mas né. Quem sou eu. O rei da mentira. Só que eu não minto pra levar vantagem não, minto só por esporte. Não gostei dela, da atitude e queria mesmo contar pro cara que ela era uma perdida. Mas mais uma vez: quem sou eu, né? Só respondi:

"Muito bem, vai conquistar sua cidadania, amiga!"

"Meu soooooonho!!!"

E daí o cara voltou.

Foi um papo de "vamos conhecer o meu hotel que tem uma vista linda só pra conversar mesmo e tomar champagne que depois você vai pra casa e coisa e tal" que todo mundo já escutou na vida. É claro que ela fez doce. É claro que ela topou. É claro que antes de ir embora ela foi ao banheiro retocar a make. E é claro que o cara veio falar comigo quando ela saiu.

"Hey."

"Hey."

E tentou falar alguma coisa em português mas não saía muito. Eu disse que tudo bem falar em inglês. Ele continuou com algo do tipo:

"Vou me dar bem hoje."

"Que bom"

"Linda ela, né?"

"Ô"

"Só é meio burra. Inventou uma cidade que não existe pra dizer que tinha morado nos EUA. Aposto que nunca saiu daqui."

"Nunca se sabe..."

"Tá voltando. Vou levar pro hotel, encher de bebida, me dar bem e depois... tchau! hahahaha"

Daí eles foram, felizes da vida, um fingindo que acreditava na mentira que o outro era. Até pensei em julgar quem estava mais errado na história, mas né. Quem sou eu.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Um dia um homem meditou tanto até se elevar e descobrir a cura para o sofrimento. Falou com a galera, fez a networking, o povo espalhou a notícia e uns 500 anos depois o leste da Ásia tava quase todo budista. A gente sempre associa a palavra missionário ao cristianismo, mas estes daqui vieram antes. E falando em cristianismo, só depois que veio Cristo e coisa e tal. E nossa cultura uma decorrência dele em um trilhão de aspectos.

Daí eu tava pensando nisso, e me perguntei: por que é que o Gautama não teve tanta aceitação quanto Cristo? Tipos, veio antes, curava sofrimento, nada de violência, tanta coisa bonita... enquanto o cristianismo meio que, né? Estudei em escola de padre e sei bem o que é se sentir culpado por, sei lá, respirar. O budismo aparentemente tem mais coisas legais a oferecer que o cristianismo, se você analisar os prós e contras.

Jesus deve ter tido uma baita assessoria de imprensa.

*

Daí eu estava escrevendo o texto acima meio de brainstorm mesmo e acabei arquivando porque lembrei que um conhecido tinha ficado puto comigo porque eu tinha falado mal do partido dele no facebook. Fiquei pensando: nossa, alguém vai reclamar, bla bla bla e desisti de publicar. Mas agora eu voltei aqui, desarquivei e postei. Não quero polêmica nem falar nada pra magoar ninguém, mas né. Isso daqui é meu blog, eu sempre andei com gente que não pensa como eu e foi tudo lindo. Tirando que ninguém lê isso daqui a não ser por acidente.

Por exemplo: eu jamais votaria no PT e não consigo me lembrar de UM amigo agora que não votou na Dilma (tudo bem, votaram na Marina também), mas nenhum dos meus amigos mais próximos votou em quem eu votei. A gente briga por isso? Não! Ficar magoado com briguinhas políticas pra mim é o equivalente a brigar com alguém que torce pra outro time. Besteira. Cresci em Brasília, sou das primeiras gerações que votou aos 16 anos, tenho política na veia e adoro discutir. Ficar putinho com isso é coisa de quem 1. trabalha com política, 2. deslumbrados com política ou 3. babacas.

Escrever é liberdade. E eu sempre escrevi o que quis. Nada que um alt + F4 não resolva pra quem não gostou.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Voar, voar, subir, subir...

Quanto mais eu frequento aeroporto mais gerente de projetos eu me sinto. É sério, tem tanta, mas tanta coisa errada acontecendo que... tipos, eu sei que quem voa direto tem até mais pra contar que eu. Evito viajar ao máximo por conta de inúmeros traumas (duvido que alguém aí tenha perdido mais voos na vida que eu), mas toooda vez é a mesma coisa. Tô lembrando disso agora porque já já vou pro SDU rumo minha Brasólia querida do coração.

Não sei se já comentei aqui, já que a frequencia de posts caiu muuuuito vertiginosamente e só agora eu voltei de vez (pelo menos na minha cabeça), mas tipos... nunca vou me esquecer do dia em que comecei a chamar a guria do atendimento da webjet (jogue a primeira pedra quem nunca voou de webjet) de Cleycianne. Tudo começou com um "Aleluia, glória Deus!" quando chegou minha vez de falar com ela. Tipos, eu cheguei antes da hora que devia chegar mas 20 minutos antes do voo sair eu estava PRESO na fila pra falar com ela só pra pagar um excesso de bagagens (eu tava levando uma penca de quadros pra Bsb pra uma exposição que nunca saiu do papel) e ao me escutar chamando o nome do senhor a criatura olhou pra mim e respondeu:

"AAAAAAAAAleluia!"

Se isso não for pedir pra um barraco digno de capa do Meia Hora eu não sei mais o que é. E olha que eu sou paciente. Mas rolou de pegar o voo e rolou também dela sair chorando do balcão. Mas enfim.

Mas drama mesmo foi quando eu ainda estava morando em Brasília, uns 2 anos atrás, e vim pro Rio fazer sei lá o quê. Como eu sempre percoo voos, costumo chegar antes (o que no meu caso não significa muito) e quando chego muito antes, que mal faz tomar um chopp? Ou dois... ou sei lá, 13?

Daí eu entro no avião daquele jeito, sempre numa das fileiras dos fundos (a chance de sobreviver a uma queda se você estiver numa das 3 últimas fileiras aumenta muito). Como quem está fazendo algo coloquial, naturalmente, acendi um cigarro.

~CLIMÃO~

Eu acho que toda tripulação voou em cima de mim naquele instante. Em alguns segundos, tooodo mundo ao meu redor, o cigarro já tinha sido apagado por alguém (e tomado de minha mão) e todos, todos os passageiros me julgavam com o olhar ou com palavras de sabedoria. Eu só consegui me defender dizendo que na verdade a culpa era deles, pois eu ficava nervoso ao voar e que aquele avião era tão velho que tinha cinzeiros no descanso das mãos, daí que isso me confundiu e eu acabei acendendo um cigarro.

Não se sabe como até hoje, mas consegui voar.

Tudo o que eu peço ao destino é que daqui a pouco eu consiga ir pra minha velha Brasólia sem nenhuma história escabrosa. Entrar no avião, dormir, acordar no cerrado e tocar a vida. Nem é muito, né?

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Vodka com Imaginação

~ Diálogo: eu e uns amigos. ~

Gente, vocês viram aquela foto bizarra no facebook de um drink de vodka com yakult?

Vi, mas não dá certo.

Ahh você tentou?

Nada, fiz isso tem uns 3 anos. Dá certo não, o leite corta.

Como assim?

Vira tipo uma coalhada.

Ai, mentira!

É sério, pow! Será que eu vou ter que comprar yakult lá embaixo pra misturar com vodka e vocês verem que NÃO DÁ CERTO?

Ai credo tá bom, a gente acredita.

~silêncio constrangedor~

Gente, é sério, eu não fiz isso por curiosidade nem por gostar, é porque a geladeira tava tão pobre que não tinha nada mais pra colocar na vodka. Tipos, nem saquinho de chá e...

Você já fez vodka com saquinho de chá?

Claro que não.

~ Daí nessa hora e somente nessa hora eu tava mentindo mesmo. ~

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Cadê vergonha?

Daí um dia eu estava no blue agave e acabei brigando com um irlandês fdp. Tá, não foi briga briga de verdade porque o grandão (o segurança, saca a intimidade) separou e coisa e tal. Uns meses se passam e outro dia, tô eu voltando da praia e paro no blue pra sei lá, tomar uma cerveja e jogar conversa fora com as garçonetes. Só eu no bar. Quem chega, também sozinho? Sim, o tal irlandês. Acaba que numa hora estamos só os dois no balcão. A pessoa me cutuca, eu olho e ele começa com um papo mais ou menos assim:

"Eu venho sempre aqui e você também, então a gente podia fingir que é amigo de vez em quando, porque eu não sou daqui e essa cidade pode ser muito solitária e bla bla bla..."

Então eu pensei: LOSER. Certo? Errado. Achei a ideia ótima e a gente trocou bateu o maior papo.

E o tempo passou e de repente tô eu encontrando o cara direto nos empórios da vida como se fosse amigo das antigas.

"Ai, que engraçado vocês conversando, ainda lembro quando quase caíram na porrada, hahaha", disse uma guria que também tá sempre nas quebradas.

"Ow, tu lembra por que é que a gente brigou aquele dia?"

"Não."

Nem eu. Vai que é isso que é amizade. (ou completa falta de vergonha na cara).

___________

P.S. Galera, eu sei que meu blog tá morto, mas tô com tanta história pra contar e tão pouco tempo pra escrever... logo logo eu volto ao normal, porque tipos, no momento tô com 3 costelas, digamos assim, quebradas =P

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Queimando o filme com TODO comércio de sua rua - parte 2

Bom, o melhor título para esse post seria "PARE DE SENSUALIZAR", mas temos que manter a série, né?

Daí que tem uma padaria a uns 20 passos da portaria do meu prédio que salvava minha vida. Refrigerante, cigarro (que o moço do post anterior NÃO me vende mais por motivos óbvios), misto-quente e café a qualquer hora do dia. Tirando que a dona era uma querida e sempre batia papo. Até que um dia uma das atendentes olhou bem pra minha cara e disse:

- Você tá com cara de cansado.

- É, eu vivo cansado...

- Ahh tem que relaxar um pouco...

E enfim, eu fui embora e nos dias seguintes ela ia evoluindo.

- Bora tomar uma cerveja um dia?

- Claaaaro!

E o tempo passava...

- E a nossa cerveja, quando que sai, HEIN?

- Nossa, eu ando muito ocupado, mas juro que até o final do ano eu arrumo um tempinho hehehe...

Até que ela resolveu *inovar*. Eu tinha comprado uma pet de 2 litros de guaraná. Paguei pra dona, que sempre fica no caixa e fui buscar com ela. Então a dona foi lá dentro atrás de sei lá o quê e eu fiquei meio que sozinho com ela.

- E a NOSSA CERVEJA?

Olha, seria mais uma pergunta rotineira e irritante, coisa que eu posso lidar. Só que enquanto ela falava isso, a criatura simulou SEXO ORAL numa GARRAFA PET VERDE. Demais pra minha cabeça. Eu só conseguia pensar "PARE DE SENSUALIZAR, VOCÊ É FEIA, EU NÃO TE QUERO, EU NÃO VOU TOMAR CERVEJA COM VOCÊ, SUA BOQUETEIRA DE GUARANÁ ANTÁRCTICA QUE É PURO E NATURAL!!!"

Enfim, nunca mais voltei lá. Mas passo na frente quase todo dia. A tática é usar fones de ouvido, mesmo sem estar com o ipod. Mesmo assim a criatura me chama mas, sei lá, eu tenho a desculpa de estar escutando música alta daí ela não se sente tão mal.

Lição: Não é porque você é simpático e educado com todo mundo que você está aceitando boquetes free.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Queimando o filme com TODO comércio de sua rua - parte 1



Bem EMBAIXO do meu prédio tem uma banca de revistas, que sempre tinha o meu cigarro e minhas revistas e coisa e tal e o dono era gente boa. Até chegar janeiro.
Vieram pra cá Moema, Betinho e Rosália passar ano-novo com a gente. E na banca tava rolando uma promoção de CDs (oi?) do Chico Buarque e a Rosália é louca por ele e resumindo: encomendou TODA coleção. Falou que não ia levar pela metade. Beleza, o velho falou que ia conseguir tudo e a vida voltou ao normal.
O tempo passou... todo mundo foi embora pras suas respectivas cidades com um lindo bronzeado carioca. E eu aqui indo todo dia comprar meu cigarrinho na banca e coisa e tal.
Até que um dia o velho chega pra mim e fala: “avisa pra tua amiga que deu trabalho mas consegui todos os CDs.”
“Que amiga? Que CDs?”
“Os do Chico...”
“Ahh tá... ela não mora aqui não, moço...”
“Mas quem é que vai pagar o prejuízo? Tive um trabalho do cacete pra conseguir tudo e bla bla bla..."
Eu, na inocência, achando que a coisa era besteira, falei: “moço, eu levo os CDs, quanto que deu?”
“Cento e oitenta reais.”
“Hã?”
“Cento e oitenta.”
“Tá. Vou passar no banco e depois venho aqui buscar.”
Daí que desde JANEIRO eu não posso passar na frente da banca que fica EMBAIXO do meu prédio. Quando é inevitável eu coloco um capuz (nesse inverno tem sido a tática mais usada), cubro a cara com a mochila, etc.
Apaguei tudo que eu tinha do Chico do meu ipod. Quando o trauma passar coloco de novo.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Quem sabe voltar aos poucos...

...porque há muito a ser dito.

Só não sei se é aqui mesmo.