Daí eu saí do bar, entrei no primeiro táxi e ele me fala:
"Oi Hélio."
Hein? Um taxista vidente? Stalker? Estaria eu bêbado demais?
"Você não se lembra de mim, né?"
Vish. Medo. M.E.D.O. Lembrava não. Olhava pra cara dele e juro que não lembrava.
"Eu sou o Marcelo."
Que bom, era o Marcelo. Que Marcelo, cacete? E tinha que ser esse nome, o nome que eu deveria ter e que minha avó paterna escolheu pra mim. Ela me chamava de Marcelo escondido desde que eu era um bebê, escrevia cartinhas para seu neto MARCELO (eu) e psicopateou tanto com essa história que até hoje em dia quando alguém grita Marcelo na rua eu olho sem querer. O nome que é de todos os protagonistas de minhas histórias, desde as infantis até as adultas. O nome irracional que me atormenta e persegue. E ali, aquele taxista.
"Ahh, lembrei! Marcelo!"
Mentira, eu tava só meio tenso mesmo e queria quebrar o gelo. Mas o rapaz era esperto, percebeu que eu estava mentindo e meio confuso e começou a explicar.
"Lembra nada... você tava meio bêbado, é normal..."
MEDO. MEDO. MEDO. MEDO. MEDO. Daí eu só fiquei mudo mesmo.
"Você tava aqui em Ipanema debaixo de chuva e aí eu parei. Então você disse que morava no Flamengo e eu pedi pra você me ajudar no caminho porque eu tinha acabado de chegar no Rio e não conhecia nada direito, além do mais estava chovendo. Só que a gente começou a conversar e eu fui dirigindo e a gente acabou indo parar na Lapa, daí você disse que tava com fome e que queria comer pizza, eu disse que podia te esperar no carro, mas você me convidou, perguntou minha vida toda e me deu um monte de conselhos, porque eu tava com problemas em casa, com minha mulher e tal. Aí a gente terminou de comer, deixei você em casa, te dei meu cartão pra você me ligar pra gente jogar bola e você sumiu!"
Olha, foi muita informação ao mesmo tempo, mas adorei saber que num universo paralelo eu jogo bola.
Daí ele chegou aqui em casa sem eu ter que dar o endereço.
E é isso, né gente. Esse sou eu. Prazer.
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